O Regulamento Europeu sobre Desmatamento, que entrou em vigor em 2023, está mudando a forma como produtores rurais paranaenses pensam sua relação com o mercado externo. A norma exige que empresas que vendem para a União Europeia comprovem que seus produtos não contribuíram para o desmatamento após 2020 — e isso vale para soja, carne, café, cacau e madeira.

Para o Paraná, que é um dos maiores exportadores de soja e carne do Brasil, o impacto é significativo. Cooperativas e frigoríficos têm investido em sistemas de rastreabilidade que permitem mapear a origem da produção até o nível da propriedade rural.

A Coamo, maior cooperativa agrícola do Brasil, lançou em 2024 um programa de certificação que já abrange 40% de seus cooperados. "Não é só uma exigência do mercado. É uma oportunidade de mostrar que a agricultura paranaense é responsável", diz o diretor técnico da cooperativa, Engenheiro Agrônomo Carlos Braga.

Mas a adaptação não é simples nem barata. Pequenos produtores enfrentam dificuldades para arcar com os custos de certificação e para implementar sistemas de monitoramento. Entidades do setor pedem que o governo federal crie linhas de crédito específicas para financiar a transição.

O Metrópolis Hoje conversou com produtores, representantes de cooperativas e especialistas em comércio exterior para mapear os desafios e as oportunidades que o novo cenário regulatório europeu cria para o agronegócio paranaense.