O Porto de Paranaguá, o maior porto graneleiro da América Latina, iniciou neste mês a fase mais intensa de um programa de modernização que vai consumir R$ 2 bilhões até 2027. As obras incluem dragagem para aprofundamento do canal de acesso, ampliação de dois berços de atracação e construção de um novo terminal de contêineres.

Com as melhorias, o porto poderá receber navios de maior calado — os chamados Capesize, com capacidade para mais de 100 mil toneladas — que hoje não conseguem acessar o porto em plena carga. Isso deve reduzir o custo de frete para exportadores de soja, milho e açúcar do Paraná e de estados vizinhos.

O diretor-geral da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Fernando Garcia, projeta um aumento de 15% na capacidade de movimentação até 2028. "Estamos falando de uma infraestrutura que vai beneficiar toda a cadeia do agronegócio no Sul e Centro-Oeste do Brasil", afirmou ele em entrevista ao Metrópolis Hoje.

O investimento é financiado por uma combinação de recursos federais, receitas próprias do porto e um contrato de concessão assinado com um consórcio privado no ano passado. A concessão prevê que o operador privado assuma a gestão do novo terminal de contêineres por 25 anos.

Ambientalistas têm acompanhado as obras com atenção. A dragagem do canal levanta preocupações sobre o impacto no ecossistema da Baía de Paranaguá, uma das mais importantes do litoral sul-brasileiro. A Appa diz que o projeto foi aprovado pelo Ibama com condicionantes ambientais rigorosas.